terça-feira, 26 de julho de 2011

Amor



 
Se misturarem o som dos teus sapatos, revelaria o que sentes, pois penetraria lentamente no reino das palavras.  Tudo define algo quando convive com seus textos antes de escrevê-los. Nada se provocaria sozinho se não fosse com o poder das palavras e a força do silêncio.
Não há desespero maior do que ter mil faces secretas e alguém lhe perguntar sem interesse algum pela resposta, pobre ou terrível, dizendo: - ausência é falta. E lastimava ignorante, a falta. Não há falta na ausência, portanto a ausência é um estar em você.
Existem conselhos terrivelmente complicados, para as necessidades mais simples. Não faça versos sobre acontecimentos, pois incidentes pessoais não contam. Ausência é igual a falta de amor. É dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira.
Amor foge a dicionários e a regulamentos, porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo. É primo da morte, e da morte vencedor, por mais que o matem e matam a cada instante é de amor. O antigo tem raízes fundas feitas de sofrimento e beleza, e se perde facilmente.
Maior é o prazer do que diz nos textos, a bondade e o que pensam, perante a tudo que há de ser, por ser um abismo por simplesmente se tornar. Mas agora é um novo inverno, e após, um novo outono volve fiel a cada instante. Se ainda há alguma coisa além da carne, é se os tocar. Os pássaros deverão cantar novamente, para ausentar-se no que és.





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